Processo Criativo: Caius Schereiner

Olá pessoal,

Hoje iniciamos uma nova categoria aqui no blog!

A proposta é trazer para vocês, por meio de entrevista, detalhes sobre as etapas criativas do pessoal aqui da ClubComics.Organizamos uma série de perguntas que tem enfoque em questões que consideramos relevantes no trabalho do artista sequencial, porém, estamos abertos à sugestões (você pode deixar nos comentários) para um próximo post de PROCESSO CRIATIVO!

Para iniciar, nosso entrevistado da vez é o Caius Schereiner.

Caius conheceu Ibraim Roberson na primeira GibiCon, atual Bienal de Quadrinhos de Curitiba, um pouco antes do surgimento da ClubComics e foi um dos primeiros alunos do clube. Atualmente completa 6 anos de casa, e participa do coworking, ou seja, utiliza o espaço para produzir seus trabalhos. O desenho, que é uma paixão desde os 10 anos de idade, tornou-se sua profissão. Você pode conferir um pouco do trabalho do Caius aqui!

Vamos às perguntas…

Caius_capa

1. Como você busca inspiração para iniciar um novo trabalho?

Eu pesquiso muito o trabalho de artistas e revisito várias HQs. Vejo muitas séries e filmes, o que ajuda a pensar em ângulos e narrativa. Após ter alguns esboços eu também curto ver fotos que possam ser parecidas com o que estou fazendo, servindo de mais inspiração e referência.

 2. Quais são suas referências?

Gosto muito de artistas que focam em composição e narrativa. Algumas referências seriam Bryan Hitch, Lee Bermejo, Alex Ross, Scott McCloud, David Finch, Katsuhiro Otomo e uma lista que poderia ser muito mais longa, já que todo material que consumi ao longo dos anos acaba sendo algum tipo de referência, mesmo que subconscientemente. Esses citados são fontes que eu sempre gosto de voltar e estudar suas qualidades e como incluir isso em meu trabalho.

3. Quais etapas você utiliza para fazer um trabalho?

Costumo trabalhar com roteiros que recebo de escritores ou editores. Após receber o roteiro eu “quebro” ele em quadros de forma bem simples sem pensar muito em ângulos ou tamanho do quadro. Então eu pego tudo isso e arranjo no formato de página agora escolhendo os quadros em destaque e os deixando maior, penso nos ângulos de câmera para que fiquem mais dinâmicos. Mando esses esboços para aprovação, faço ajustes necessários para que sejam aprovados e então sigo em frente. Defino as partes técnicas: Perspectiva, anatomia, Iluminação, ou outra coisa que seja importante no lápis. A etapa final vem com nanquim, quando o peso de linha e massas de preto são definidas, então a página ou imagem final é enviada para o roteirista ou editor.

4. Qual parte do seu processo você considera mais fundamental?

Na minha visão, desenhar quadrinhos é muito mais parecido com dirigir um filme do que pintar um quadro. Sendo assim, acho que as etapas iniciais de construção da página como composição, narrativa e aplicação técnicas sejam as mais importantes. Acredito que estilo e acabamento sejam secundários quando o foco em si é contar histórias com clareza e maestria.

5. Você gosta de ter mais controle sobre o trabalho ou prefere dividir o trabalho com outras pessoas?

Produzir quadrinhos é algo muito trabalhoso e com muitos processos, acredito que seja difícil fazer tudo com maestria e sem gasto excessivo de tempo. Dentro do processo que costuma incluir Roteiro, Lápis, Arte Final, Cor e Letras, além da parte de Design gráfico e Impressão, eu costumo fazer lápis e arte final. Já fui arte finalizado por outro artista e sempre fico ansioso para ver como diferentes coloristas vão interpretar meu trabalho e como será o resultado final. Gosto de produzir HQ’s com mais pessoas, isso faz com que eu possa me especializar nos processos que faço e o resultado final costuma ser melhor, além de me manter curioso sobre o resultado final e ter mais opiniões que possam ser pertinentes sobre meu trabalho.

6. Por quantas horas por dia você considera importante produzir?

Cada pessoa acaba tendo uma rotina que comporte suas obrigações e estilo de vida, mas é importante lembrar que quem quer trabalhar com quadrinhos tem que TRABALHAR, então todo tempo disponível deve ser aplicado a esse fim. Tendo como ideal em torno de 8 horas por dia, igual a qualquer outro trabalho.

7. Como você faz para aliar seu tempo de estudo com seu tempo de produção?

 Isso acaba sendo um pouco mais complicado no meu dia a dia. Normalmente eu percebo que algo não está como deveria no meu trabalho, ou vejo algo que quero testar e acabo usando as páginas que eu produzo como uma forma de estudar uma outra coisa de vez em quando. Apesar disso, acredito que o ideal seja separar um tempo de estudo do trabalho e manter uma rotina constante para poder sempre evoluir.

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8. Para você, qual é a diferença entre páginas, capas, ilustrações e concept na hora de produzi-las?

Eu considero que cada uma tenha uma função diferente e ao mesmo tempo devam contar uma história. Páginas são as mais “matemáticas” em minha opinião, elas devem ser dinâmicas e equilibradas, de forma que tenham um quadro de destaque, variação de ângulo e distância para que não fiquem chatas e desinteressantes. Acredito que isso seja válido independente do estilo ou história que esteja sendo contada. Capas devem ser um indício da história, mas mais importante que isso, é que sejam impactantes e despertem o interesse de quem vê a imagem. Normalmente é legal retratar as figuras de forma que elas fiquem grandes e em destaque, com grandes poses de ação ou em momento de tensão. Ilustrações e Pinups não precisam necessariamente ter a mesma “matemática” de uma página ou a dramaticidade de uma capa, mas devem representar com clareza o que estão abordando e sua estética deve ser impecável. Concept art tem muita história sendo representada nas imagens produzidas, seja para cenários, personagens, criaturas ou outra coisa. Muita pesquisa sempre está envolvida no desenvolvimento de algo, se for criar uma cidade é importante saber o tipo de construções existentes e de qual material são produzidas, sua função e idade. Personagens devem ser representados de forma que sua estética reflita sua personalidade, gostos ou trabalho, ficando óbvio porque possuem tal corte de cabelo ou a forma que se vestem.

9. Você experimenta métodos ou materiais diferentes em seu processo?

Meu processo atual já tem uma certa forma, então tento focar em maneiras de produzir com mais velocidade. Acredito na importância de conhecer vários materiais para entender os que mais se adequam a você, independente de serem ferramentas digitais ou tradicionais.

10. Como você lida com críticas ao seu trabalho?

Não tenho problemas  com isso, críticas mostram como seu trabalho é percebido. Críticas simples como “bom” ou “ruim” são vagas e não ajudam muito, mas quando alguém diz algo específico sobre seu trabalho acho sempre legal parar, ouvir e então refletir se aquilo faz sentido dentro do contexto que você produz ou onde quer chegar. Se você se fechar à críticas seu trabalho acaba estagnando e morrendo.

11. O que você acha legal e o que você melhoraria no seu trabalho ?

Eu sou enfático em dizer o quanto eu valorizo a narrativa e construção de páginas para contar uma história, acho essa a parte principal para uma HQ funcionar e por consequência essa parte inicial acaba se desenvolvendo mais dentro do meu trabalho. O lado negativo é que meu acabamento fica um pouco pra trás, então eu tento melhorar meu rendering e arte final para que meu trabalho seja mais sólido.

12. Como você divulga seu trabalho ?

Como meio principal eu uso o DeviantArt, também posto desenhos na minha página do Facebook e para trabalhos costumo usar fóruns da internet como o DigitalWebbing e o Zwol, além de pesquisar editoras de quadrinhos na internet e ver como é a forma de trabalhos das mesmas.

13. Como você vê o quadrinho no Brasil atualmente?

Acho fantástico a incrível diversidade de estilos e histórias que temos. Mesmo que nem sempre estejam muito acessíveis, não é difícil achar projetos legais no Catarse, Social Comics ou ver o Artist Alley de algum evento de cultura pop hoje em dia.

14. Como você enxerga a importância dos quadrinhos na sociedade?

Eu vejo quadrinhos como uma mídia de entretenimento igual cinema ou música, mas falo isso de forma positiva. Da mesma forma que nosso corpo precisa de exercício nossa mente precisa de estímulos, não é incomum ver pessoas tão focadas em suas próprias vidas que perdem a noção do mundo ao redor e então a própria sanidade com o tempo, o entretenimento entra para relaxar a mente, tirar uma pausa de nós mesmos e então continuar funcionais. Adoro consumir quadrinhos para manter minha mente em dia e produzir eles acaba sendo um grande desafio mental, mas que é recompensante por trazer novas histórias a vida e manter leitores entretidos.


Essa categoria do blog será mensal, não perca o próximo! Compartilhe e comente se achar relevante, vamos adorar receber um feedback 😀

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